29.10.10

Como surgiu o nome Paulo Malaria, pelo próprio

Saiba como surgiu o nome Paulo Malária, na versão do próprio Mala:


Paulo Malária em 1979 ou 80
Eu vou contar, mas duvido que alguém leia até o fim. É uma história muito chata.

Na minha infância florida, na aurora da minha vida que os tempos não trazem mais e da qual eu, ao contrário do Casemiro, não tenho saudade nenhuma, precisei usar desde os 4 anos de idade um grossíssimo óculos fundo de garrafa.

Como se não bastasse o incômodo perpétuo causado pelo indispensável aparato que alguns julgam menos danoso do que uma muleta, quando cheguei à adolescência comecei a receber uma série de apelidos visando vincular o óculos de lentes grossas a uma inseparável insanidade mental que deveria forçosamente acompanhar o portador da deficiência visual. Os apelidos não eram muito criativos: "Quatro-Olho", "Paulo Maluco", "Pinel". Eu já estava pensando que era melhor me apartar dessa escória chamada raça humana e virar autista quando miraculosamente, lá pelos 16, comecei a conhecer pessoas de outro nível moral, que não se incomodavam com as minhas lunetas e me tratavam como gente. A unir estes amigos que me resgataram do desprezo eterno pela humanidade, um ponto em comum: o bom, genuíno e velho (na época, não tão velho) rock and roll!

Para esta galera, eu era apenas o "Paulo", "Paulão", "Paulizecso". Poderia ter passado o resto da vida assim. Porém, na faculdade, me meti com política estudantil, montei uma chapa anarquista e comecei a incomodar as "lideranças" de plantão. Foi aí que pensei: é melhor eu arrumar um apelido definitivo antes que o façam. Um apelido que para muitos soe pejorativo, mas que tenha um substrato underground, revoltado, rock`n`roll e o mais importante, inventado por mim.

Isto foi em 1978. Dois anos antes, o Zeca, baterista da Banda Só Por Uma Noite, tinha chegado para um ensaio lá na varanda da minha casa muito transtornado porque um pen pal dele, lá do Rio Grande do Sul, tinha ido fazer Projeto Rondon em Rondônia, pegou malária e morreu. Naquele dia o Zeca repetiu várias vezes, meio chapado:
- Malária, bicho... Malária...

Depois, em 1977, fomos eu, Zeca, Guto e mais um guitarrista que agora não me lembro quem foi (Scubi? acho que não. Chico? também não. Beto, irmão do Zeca? sei lá.) fazer um som no GPI da Rua Ibituruna. Foi uma tarde maluca, em que o Zeca, enquanto montava a bateria, caiu nos fundos do palco. Num instante ele estava ali, no seguinte não mais. Só vi a cortina se mexendo, o Guto atônito dizendo: - O Zeca sumiu!, uma mão com uma baqueta surgindo por baixo da cortina e após a mão o Zeca inteiro: - Pooorra...

Mas nós fizemos um bom som, só que não tinha microfone. Toquei minha pianola, escaleta, lancei ali o tema "Maria Pirú on Advertisingland" (23 anos mais tarde gravado pelo Acidente com o novo nome "Expo Rock") e lá pelas tantas, decidido a soltar o gogó, mandei um berro:
- Malááária!!!
A plateía uivou. Repeti:
- Malááááária!!!
Vibração geral. Mais alguns gritos de "Malária" e logo o concerto se encerrou com chave de ouro. O Zeca logo veio me perguntar:
- Que que tu tava gritando? "Canalhas"?

Portanto, quando em 78 eu entrei numa de me apelidar antes que o fizessem de forma mais desvantajosa para minha imagem, Paulo Malária foi uma solução natural. Apenas fiquei temeroso que as inicais "PM" trouxessem maus fluidos. Mas os pontos positivos sobrepujaram os senões: "Malária" é cheio de "A"s, um nome para se falar de boca aberta, com atitude. E malária é uma doença bem Brasil, verdadeiro símbolo da pujança verde-amarela e do patriotismo que tanto me caracteriza.

A prova de fogo veio dias depois quando o Scubi ligou pra minha casa e chamou o Malária. Foi minha mãe quem atendeu e, mesmo eu não tendo ainda comentado nada com ela, veio direto me chamar:
- Telefone pro Malária. Só pode ser pra você.

Aí eu vi que o batismo era acertado e definitivo. Seguiu-se uma intensa campanha de divulgação, em que até o banheiro feminino da Escola de Comunicação recebeu uma pixação anônima com os dizeres "Malária Tesão" (respondida prontamente com outra: "então você não sabe o que é tesão"), e o novo personagem ganhou o mundo. Ou ao menos assim cheguei a pensar, até perceber que o mundo era um pouco grande demais! 


Texto de Paulo Malária para a lista da Eldopop em 29/10/2010

15.10.10

Acidente tem suas letras publicadas no Lyricsmode.com

A partir desta semana as letras das músicas gravadas pela banda independente de rock Acidente começaram a ser publicadas no site www.lyricsmode.com. Até agora já subi 17. Parece pouco (e é, rs) mas eu chego lá. O Guerra Civil já está inteiro lá e muita coisa do Fim do Mundo e Piolho, além de algumas músicas mais recentes, como Astra Star, que trouxe como exemplo. 

Além de poder publicar letra e vídeo, o site permite a publicação só da letra bem como o envio da música como Ringtone para celular. Legal, né?


Lyrics | Acidente lyrics - Astra Star (Tu é Iinha) lyrics

9.10.10

Gloomland ganha remix e nova tiragem deve sair em dezembro

Gloomland será relançado em dezembro
Do Paulo Malária na lista de discussão da EldoPop:


"Ontem me deram prazo de início de dezembro para a nova tiragem do Gloomland ficar pronta. Este CD que ficou quase oculto na época em que saiu, com prensagem de apenas 500 e o volume muito baixo. Agora vem com tiragem maior, som mais alto e muito material iconográfico recuperado com bravura ao mofo e às traças, num trabalho de pesquisa por assim dizer braçal. Todos que formavam o quarteto deram seus depoimentos "antes e agora". Modestamente, acho que alguma coisa do disco pode agradar à galera que curte prog, embora nós tenhamos evitado usar o termo "progressivo" porque poderia ser muita pretensão. Ficamos com "hard muzak", que não tem perigo de decepcionar ninguém, porque quem curte muzak não gosta de hard e vice-versa.

Quando este disco enfim estiver pronto, encaixotado e encalhado na minha casa, será a vez de um outro projeto muito mais ambicioso, embora não diga nada à maioria do pessoal desta lista (mas diz muitíssimo a pelo menos dois, eu e o brother Scubi): a reunião em CD dos 3 vinis dos anos 80. Este deve sair em março de 2011, para comemorar os 30 anos da gravação do LP "Guerra Civil", tido na época como o 1° LP independente de uma banda de rock carioca, conquanto o apanágio não tenha se tornado relevante: quantos mais houve e quem conhece alguma? A indústria manobrou a história para o lado que lhe interessava, e descobriu que bastava rotular qualquer coisa de "rock" para satisfazer à demanda do público. Foram espertinhos. Hoje a biografia consolidada do "B rock", ou "rock brasil" dos anos 80, se escreve com exemplares incontestes do gênero tipo "Faz parte do meu show" e, bom, deixa pra lá. Tudo isto já passou, como uma tempestade de lama; alguns dos principais apaniguados não estão por aí fruindo as benesses do modismo de que foram protagonistas, e o que sobrou do movimento praiano-oitentista que ia mudar o mundo a partir do Baixo Leblon hoje estertora no palco de qualquer festa "ploc anos 80" como a desta noite no Circo Voador. Pena porque eu e muitos outros podíamos ter tido uma vida mais divertida e musical, mas, já que canalizaram tudo para meia dúzia (e meia dúzia que nem gostava de rock, só do nome), paciência."